segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Exercicios.

Exercicios.

1. "A língua sem arcaísmo. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos".
Neste trecho do Manifesto Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, depreende-se um dos programas propostos pelos modernistas:
a) a invenção de uma nova língua, estruturalmente diferente da falada e escrita pelos portugueses
b) a imitação do discurso dos autores populares da literatura oral brasileira
c) a incorporação da fala brasileira à língua literária nacional
d) a volta à língua do Brasil dos primeiros tempos da colonização
e) o repúdio à literatura dos escritores do passado, apenas porque eram afeitos à extrema correção

2. Representante típico do movimento antropológico, um poema, escrito em 1928 e publicado em 1931, iria recriar os mitos da Amazônia, utilizando-se do seu regionalismo léxico e sintático. Trata-se de:
a) Cobra Norato, de Raul Bopp
b) Martim Cererê, de Cassiano Ricardo
c) Juca Mulato, de Menotti del Picchia
d) Clã do Jabuti, de Mário de Andrade
e) Raça, de Guilherme de Almeida

6. A respeito de Oswald de Andrade, é incorreto afirmar que:
a) apesar de sua intensa participação na SAM, assumiu uma postura simpática em relação à poesia parnasiana
b) em Serafim Ponte Grande, rompe com a forma e com a estrutura tradicionais do romance brasileiro
c) O Rei da Vela, sua obra-prima em termos de dramaturgia, apresenta contundente crítica ao sistema burguês
d) desenvolveu uma poesia original, plena de humor e ironia, com uma linguagem do cotidiano, repleta de neologismos
e) filho único, rico, pôde viajar à Europa, onde entrou em contato com as idéias vanguardistas, que divulgaria no Brasil


13. "Seu Lula gritava dentro de casa como se estivesse em luta com inimigos que lhe enchessem o quarto. D. Olívia naqueles dias, largava as suas gargalhadas. E gritava também. Por um instante a silenciosa casa grande do Santa Fé parecia agitada de paixões, de gente desesperada. Passava tudo e outra vez o silêncio tomava conta dos quatro cantos da sala e dos corredores. Seu Lula refugiava-se na rede. D. Olívia continuava a andar de um lado para outro".
A decadência de Engenho Santa Fé figurada na personagem trágica de seu proprietário, o coronel Lula de Holanda, é uma das trilhas narrativas percorridas pela grande síntese épica:
a) São Bernado, de Graciliano Ramos
b)Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado
c) Saga, de Érico Veríssimo
d)O Quinze, de Rachel de Queiroz
e)Fogo Morto, de José Lins do Rego

1. (UFAM) A respeito do romance Incidente em Antares, de Erico Veríssimo, assinale a alternativa em que personagem e respectiva caracterização NÃO se apresentam de modo correto:
A) Valentina – É a mulher do juiz Quintiliano do Vale. Em determinada noite, ela tem a coragem de afrontar o marido, fumando na sua frente e dizendo-lhe as coisas ruins que de fato pensava dele.
B) Mirabeau da Silva – É o promotor da cidade de Antares. No episódio do coreto, alguns rapazes, devidamente escondidos nas árvores, o ofendem chamando-o de “fresco”.
C) Barcelona - É o apelido do sapateiro Lucas Faia. No episódio do coreto, em que os mortos afrontam os vivos, é ele quem revela as escusas articulações políticas de Tibério Vacariano.
D) Dona Quitéria (ou Dona Quita) – Matriarca do clã dos Campolargos, é um dos mortos que caminha do cemitério ao centro da cidade. Amiga de Tibério Vacariano, com ele conversava sobre política.
E) Dr. Lázaro Bertioga – É um dos dois médicos de Antares. Embora sinta remorsos, assina um falso atestado de óbito, a fim de que ninguém descobrisse que João Paz fora assassinado na delegacia de polícia.

2. (UFAM) Leia as afirmativas abaixo, feitas a propósito do enredo do romance Incidente em Antares:
I. A mulher de Egom Sturm, temendo ser perseguida, atravessa a fronteira pelo rio Uruguai, indo se exilar em Buenos Aires.
II. Em conseqüência de uma greve dos trabalhadores de Antares, à qual aderiram os coveiros, sete mortos não puderam ser sepultados e foram deixados do lado de fora dos muros do cemitério.
III. Para honrar a memória de Pudim de Cachaça, o seu amigo Alambique revela aos jornalistas de Porto Alegre o que de fato acontecera e, por isso, veio a ser assassinado na calada da noite.
IV. A primeira parte do romance traça um painel histórico da cidade de Antares, mostrando a formação dos clãs que a dominariam e disputariam o poder sem quaisquer escrúpulos.
Estão corretas:
A) apenas II e III
B) I, II e III
C) I, III e IV
D) apenas II e IV
E) apenas I e IV.

1. (FUVEST) Leia o trecho para responder ao teste.
"Fizeram alto. E Fabiano depôs no chão parte da carga, olhou o céu, as mãos em pala na testa. Arrastara-se até ali na incerteza de que aquilo fosse realmente mudança. Retardara-se e repreendera os meninos, que se adiantavam, aconselhara-os a poupar forças. A verdade é que não queria afastar-se da fazenda. A viagem parecia-lhe sem jeito, nem acreditava nela. Preparara-a lentamente, adiara-a, tornara a prepará-la, e só se resolvera a partir quando estava definitivamente perdido. Podia continuar a viver num cemitério? Nada o prendia àquela terra dura, acharia um lugar menos seco para enterrar-se. Era o que Fabiano dizia, pensando em coisas alheias: o chiqueiro e o curral, que precisavam conserto, o cavalo de fábrica, bom companheiro, a égua alazã, as catingueiras, as panelas de losna, as pedras da cozinha, a cama de varas. E os pés dele esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escuridão. Seria necessário largar tudo? As alpercatas chiavam de novo no caminho coberto de seixos." (Vidas secas, Graciliano Ramos)
Assinale a alternativa incorreta:
a) O trecho pode ser compreendido como suspensão temporária da dinâmica narrativa, apresentando uma cena "congelada", que permite focalizar a dimensão psicológica da personagem.
b) Pertencendo ao último capítulo da obra, o trecho faz referência tanto às conquistas recentes de Fabiano, quanto à desilusão do personagem ao perceber que todo seu esforço fora em vão.
c) A resistência de Fabiano em abandonar a fazenda deve-se à sua incapacidade de articular logicamente o pensamento e, portanto, de perceber a gradual mas inevitável chegada da seca.
d) A expressão "coisas alheias" reforça a crítica, presente em toda obra, à marginalização social por meio da exclusão econômica.
e) As referências a "enterro" e "cemitério" radicalizam a caracterização das "vidas secas" do sertão nordestino, uma vez que limitam as perspectivas do sertanejo pobre à luta contra a morte.

2. (FUVEST) Um escritor classificou Vidas secas como “romance desmontável”, tendo em vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e seqüências parcialmente truncadas.
Essas características da composição do livro:
a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo
nordestino.
b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia os ditames do primeiro momento do Modernismo.
c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada da realidade sertaneja.
d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacônica de Euclides da Cunha, em Os sertões.
e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo.

3. (PUC-SP) O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. (…) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (…)
O trecho acima é de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos. Dele, é incorreto afirmar-se que:
a) prenuncia nova seca e relata a luta incessante que os animais e o homem travam na constante defesa da sobrevivência.
b) marca-se por fatalismo exagerado, em expressão como “o sertão ia pegar fogo”, que impede a manifestação poética da linguagem.
c) atinge um estado de poesia, ao pintar com imagens visuais, em jogo forte de cores, o quadro da penúria da seca.
d) explora a gradação, como recurso estilístico, para anunciar a passagem das aves a caminho do Sul.
e) confirma, no deslocamento das aves, a desconfiança iminente da tragédia, indiciada pela “brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes”.

4. (UFLA) Sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
a) O romance focaliza uma família de retirantes, que vive numa espécie de mudez introspectiva, em precárias condições físicas e num degradante estado de condição humana.
b) O relato dos fatos e a análise psicológica dos personagens articulam-se com grande coesão ao longo da obra, colocando o narrador como decifrador dos comportamentos animalescos dos personagens.
c) O ambiente seco e retorcido da caatinga é como um personagem presente em todos os momentos, agindo de forma contínua sobre os seres vivos.
d) A narrativa faz-se em capítulos curtos, quase totalmente independentes e sem ligação cronológica e o narrador é incisivo, direto, coerente com a realidade que fixou.
e) O narrador preocupa-se exclusivamente com a tragédia natural (a seca) e a descrição do espaço não é minuciosa; pelo contrário, revela o espírito de síntese do autor.

6. (ACAFE / SC) A vida na fazenda se tornara difícil. Sinha Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul, as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.
De acordo com o fragmento acima, é incorreto o que se afirma em:
a) Tanto Sinha Vitória quanto Fabiano tinham fé na providência divina.
b) O enfoque é narrativo.
c) O que se relata ao longo do parágrafo tem o objetivo de confirmar a afirmação da primeira frase.
d) Há evidências de que Sinha Vitória e Fabiano estão fragilizados, pois ela "benzia-se tremendo" e ele estava "encolhido na banco do copiar".
e) O tema predominante é a indagação metafísica sobre a existência (inexistência) de Deus.

8. (ACAFE / SC) Sobre a obra Vidas secas, é correto afirmar que:
a) a preocupação com a fidedignidade histórica e com o tom épico atenua o sentimento dramático da vida, habitualmente presente nos poemas do autor.
b) apresenta temática indianista, a exemplo do que fizera Gonçalves Dias em Os timbiras eCanção do tamoio.
c) as personagens humanas, em razão da seca, da fome, da miséria e das injustiças sociais, animalizam-se; em contrapartida, os bichos humanizam-se.
d) Chico Bento, antes da seca, não era vagabundo, nem bandido; era um trabalhador rural. e) narra a história de um burguês, Paulo Honório, que passara da condição de caixeiro-viajante e guia de cego à de rico proprietário de uma fazenda. Para atingir seus objetivos, o protagonista elimina todos os empecilhos que se colocam à sua frente, inclusive pessoas.

2. (CEFET) O diálogo a seguir é entre Paulo Honório, narrador, e Gondim, jornalista contratado inicialmente por Paulo para escrever o romance:
“– Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
– Não pode? Perguntei com assombro. E porquê?
Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
– Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.” (Graciliano Ramos: São Bernardo, cap. 1)
Com base no texto, pode-se afirmar que:
a) a concepção de literatura da 1ª fase do modernismo expressa-se na opinião de Gondim.
b) as idéias de Paulo aplicam-se à obra de Graciliano, não a outros autores modernos.
c) as buscas da prosa da 2ª fase do modernismo não aparecem no ponto de vista de Paulo.
c) a divergência entre Gondim e Paulo é antes temática que estilística.
e) a concepção de literatura da 1ª e 2ª fases do modernismo está no parecer de Paulo.

3. (MACKENZIE) Em São Bernardo, a velhice é o momento em que o narrador-protagonista Paulo Honório
a) aproveita, apesar dos problemas cotidianos, toda a riqueza e prestígio que conseguiu durante sua vida de sacrifícios.
b) se vê falido economicamente e se conscientiza de que sua vida foi consumida inutilmente na posse da fazenda S. Bemardo.
c) reconhece a forma desumana como tratou Madalena e as demais pessoas, mas não é capaz de reconstruir novo projeto de vida.
c) se sente contrariado, pois, apesar de saudável física e emocionalmente, constata que viveu apenas em função dos outros.
e) avalia o passado positivamente, contrastando-o com a solidão do presente e a incerteza do futuro.



6. (UFLA) A única opção que NÃO caracteriza, integralmente, o personagem Paulo Honório, de São Bernardo, de Graciliano Ramos, é:
a) “Passou a vida a transformar as pessoas e os sentimentos em coisas mensuráveis, catalogáveis, sujeitas a valores de troca, a extirpar tudo o que ultrapassasse a objetividade ou a passividade das coisas.”
b) “Ascende de uma dura e miserável infância, que tudo lhe negou, à esplêndida condição de senhor de um mundo: a Fazenda São Bernardo, com suas terras, animais e homens.”
c) “Caráter inconstante, de atitudes dúbias: subserviente com todos os poderosos, arrogante e prepotente com os humildes.”
d) “Torna-se um poderoso, mas não foge ao destino humano: é um só, um homem desesperadamente solitário.”
e) “Personalidade enérgica, rica, dominadora, que avassala tudo e todos com sua vontade onipotente.”


16. (UNIOESTE) Sobre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, numa visão geral de fatos, personagens, características e estrutura, todas as afirmativas abaixo são procedentes, EXCETO:
A) o romance é narrado em terceira pessoa.
B) predomina no romance o monólogo interior.
C) Paulo Honório não vê propriamente a natureza, pois repara apenas nas coisas que lhe pudessem ser rendosas.
D) tudo o que em São Bernardo é tenebroso, inumano e doloroso é durante a noite que se forja, acontece ou se realiza.
E) a coruja, que antes tinha atuado como prenúncio da morte de Madalena, virá a ser depois a voz que trará à mente de Paulo Honório a lembrança da tragédia, que tão duramente o persegue.

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